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Até breve, Saramago!
“O teu espírito, maior que o teu corpo, é agora uno com o espaço que mais se identifica contigo: o universo. Deixas agora a Caverna onde todos vivemos e imerges na luz que poucos conhecemos”
António de Castro
Confesso que nem sempre adorei o carácter irreverente e excessivo da literatura de Saramago, talhada pelo seu muito próprio estilo fluído na ausência de pontuação, mas complexo pela sua pendência na oralidade, no ritmo da gramática mais pura da absorção do espírito e menos alicerçada na forma e nas quebras orientadoras da vírgulas e pontos finais.
A correria desenfreada e galopante do conhecimento e sapiência do génio do Nobel fez com que me habituasse de forma apaixonada a ler em sintonia com a sua mente, transportando-me quase para o seu lado, à medida que as palavras lhe abandonavam o espírito e se sentavam no papel para posterior publicação. Inegavelmente, o seu génio tinha que criar não somente obras, rascunhos, romances e geniais pérolas da escrita portuguesa, mas também uma forma única, soberba e admirável de marcar o papel.
Saudades me preenchem agora, mais do que usualmente, da Caverna, de Saramago: a deliciosa obra que reflecte sobre a falácia do capitalismo e da tecnologia ostracizante, e nos traz uma inspirada versão da alegoria da Caverna de Platão, sob a luz do seu recheado e denso espírito de valor incalculável.
A ti, nobre embaixador do intelecto, da orgulhosa teimosia de viver, da honesta palavra que nem sempre benefícios traz a quem as profere, parabéns pela tua vida no momento da tua despedida.
Até sempre!






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