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Militar israelita publicou fotos de presos no Facebook
O Facebook continua a sua ascensão como órgão de comunicação de massas digitais, candidato a substituto dos tradicionais e “vetustos” media. Palco enorme de audiências pessoas, penetrante transversalmente em faixas etárias diversificadas, e cada vez mais usado via mobile, começa a ser uma crónica da vida real, onde o agora e o imediato são a altura ideal para tudo partilhar: vida, nascimento, tristeza, amor, ódio e até morte.
O voyeurismo endémico do ser humano, e a paralela vontade da partilha, exultando o sentimento de pertença ao mundo, aos grupos, aos amigos ou classes etárias e sócio-profissionais, faz-nos mergulhar de cabeça no mundo dos “gostos” e do “partilho”, sem uma consciência imediata nem muito profunda do fenómeno da privacidade da praça pública, ou a ausência dela.
A guerra, palco de horrores e atrocidades, atroz e desumano teatro da faceta mais ignóbil da humanidade, é também conteúdo visto como partilhável, ainda que fira a dignidade de todos quantos nela sofrem. Exultam-se os vencedores sobre os vencidos, sobre os humilhados e espoliados como se de um jogo ( Content Role Playing Game ) de conteúdos se tratasse: aqui, os prémios são os “likes” da nossa audiência ao final de um dia de posts.
António de Castro
Artigo JN em análise

A polémica instalou-se quando uma ex-soldado israelita publicou, na sua página do Facebook, fotografias onde posava junto de palestinianos detidos por Israel, algemados e de olhos vendados.
As fotos, que foram publicadas num álbum intitulado “O Exército, a melhor parte da minha vida”, chocaram os oficiais do Exército israelita mas, principalmente, a comunidade palestiniana.
Numa das fotos, tirada em 2008, Eden Aberyil aparece sentada junto a um palestiniano algemado. Numa outra, o mesmo prisioneiro aparece com outros dois detidos, também algemados e de olhos vendados.
Em poucas horas, deu-se um efeito viral na rede social e as fotos foram tema de conversa em diversos blogues e sites.
O porta-voz do Exército israelita disse que se tratou de “um comportamento vergonhoso por parte da militar” e assegurou que já foi aberta uma investigação. Está também a ser ponderada uma acção disciplinar, mas como Eden Aberyil já terminou o serviço militar o Exército ainda não sabe que tipo de medida será tomada.
Menuchim Yishai, chefe do Comité israelita contra a tortura, criticou as imagens, dizendo que o incidente “traduz uma atitude que se tornou a norma e que consiste em tratar os palestinianos como objectos, não como seres humanos”, escreve a BBC.
O governo palestiniano também já comentou a publicação das fotografias, dizendo que mostram “a mentalidade da militar, que se orgulha de humilhar os palestinianos”.
“Nada no mundo pode justificar esta humilhação que faz parte do quotidiano das práticas de ocupação israelita”, acrescentou Ghassan Khatib, porta-voz da Autoridade Palestiniana.
Fonte: JN






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